As colonoscopias no Serviço Nacional de Saúde passam a poder ser feitas com sedação a partir de 1 de abril. O objetivo é um aumento do número de colonoscopias realizadas e da taxa de deteção precoce do cancro colorretal.



A Secretaria de Estado da Saúde publicou um despacho de acordo com o qual entra em vigor um novo pacote de cuidados ao abrigo da convenção para a endoscopia gastrenterológica que garante a colonoscopia associada à analgesia do doente. Até ao fim de março, as administrações regionais de saúde (ARS) têm de avançar com a contratualização com os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) o aumento do número de colonoscopias realizadas após prescrição pelo médico de família.

Deteção precoce do cancro colorretal
O objetivo desta medida é aumentar a deteção precoce do cancro colorretal nos casos em que está indicada a realização de colonoscopia. A Secretaria de Estado admite que o número atual de prestadores convencionados pelo SNS é insuficiente.

O tratamento do cancro colorretal tem boas taxas de sucesso quando a doença é detetada numa fase precoce. O diploma agora publicado cita as recomendações do programa nacional para as doenças oncológicas para que todos os utentes entre os 50 e 74 anos façam uma pesquisa de sangue oculto nas fezes de dois em dois anos. Se for detetado sangue ou se existirem fatores de risco, pessoais ou familiares, o utente é referenciado para fazer outros exames através de colonoscopia. O receio de que o exame possa causar dor ou sofrimento tem atuado como um fator dissuasor junto de alguns utentes. Com a possibilidade de utilização de sedação, a Secretaria de Estado da Saúde pretende aumentar o número de colonoscopias realizadas.

Procedimentos de sedação em debate
Em comunicado, a Ordem dos Médicos (OM), criticou a decisão do Ministério da Saúde, nomeadamente os procedimentos de sedação. De acordo com o comunicado da OM, a sedação não deveria ser feita por um gastrenterologista e sim por um anestesista, uma vez que o primeiro deverá estar totalmente concentrado na realização do exame.

Esta posição foi, por seu turno, contestada pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que garante que, neste momento, existem vários gastrenterologistas a realizar sedação em colonoscopias. A ACSS destaca ainda o esforço orçamental que esta medida representa para o Ministério da Saúde, que pretende assim promover a resolução “de uma dificuldade crónica de acesso ao exame de colonoscopia e à deteção precoce do cancro colorretal”.

A DECO considera que a hipótese de realizar o exame com sedação, garantindo sempre todas as condições de segurança, é uma boa medida uma vez que vem aumentar o conforto dos doentes e, por isso, pode ajudar a aumentar o número de rastreios realizados mas tem de garantir a segurança dos utentes. Aguarda-se agora a norma da DGS sobre a forma como deverá ser realizado o rastreio







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